skip to main |
skip to sidebar
AS VEZES EU ...
As vezes sinto-me emocionalmente esgotada
As vezes penso que vivo demais as dores alheias
As vezes acho que sou louca por achar que posso mudar o mundo
As vezes pergunto-me se a minha mãe tem razão quando diz que eu já devia ter aprendido que ninguém é tão sincero comigo quanto eu sou
As vezes preciso de um tempo só meu
As vezes não me apetece ouvir mais lamentações
As vezes penso que certas pessoas não merecem o melhor de mim
As vezes penso que não vale a pena a dedicação, o empenho e os malabarismos que faço para conseguir «atender» a tanta gente
As vezes penso que não sou retribuída tanto quanto mereço
As vezes acho que amo muito mais do que sou amada, e amo mesmo
As vezes apetece-me ser ouvida, acarinhada, consolada
As vezes queria poder sentir raiva, ou pelo menos indiferença
As vezes queria não ter este compromisso com o AMOR
As vezes acho que a carga é pesada demais
(...)
Mas aí vem algo infinitamente mais forte que tudo isso
Vem a necessidade de me doar porque na verdade só assim recupero a minha força
Vem a vontade expontânea de estender a minha mão a quem precisa porque isso me faz sentir feliz realmente
Vem a voz que fala no meu ouvido e diz que fiz a coisa certa, e isso deixa-me com a sensação de dever cumprido
Vem aquela alegria enorme só por ver alguém que ontem chorava, agora sorrir, porque isso lava a minha alma
... e me faz entender que cada um tem a sua missão, dom, karma ... e me faz lembrar, entender e aceitar a minha
... mesmo que as vezes a exaustão apareça
Mesmo que muitos digam que não vale a pena
Eu digo que vale! No fim das contas, vale muito a pena.
Viver para espalhar o amor, a alegria e a esperança ... mesmo quando certas pessoas me levam a pensar que é melhor desistir ... por isso este lado sempre venceu, sempre vence e sempre vencerá, porque sigo o manual do guerreiro da Luz, e sei que nem sempre o caminho é feito de flores.
Então, respiro fundo e prossigo. Esta sou eu ... para mim mesma, para ti, para Deus.
Beijos meus, com amor.
Gosto de me sentar nas escadas da frente da minha casa. Dali posso ver, um pouco mais abaixo, o frenesim da cidade, o engarrafamento dos carros na estrada ... mas é óbvio que não é por causa disso que tantas vezes quanto posso, me sento ali ao anoitecer.
Recosto-me numa das paredes, apoio os pés na outra, reclino a cabeça para trás, e sinto a brisa suave acariciar-me o rosto. Adoro o sabor do vento no rosto, os murmúrios distantes que ele traz ... se prestar bastante atenção quase que consigo ouvir.
Então, fecho os olhos. Respiro bem devagar e profundamente. Relaxo. Deixo-me ir.
De súbito, não há mais buzinas, nem cães a ladrar, nem as vozes altas e excitadas dos rapazes de mota que frequentam a roulote da esquina diariamente ...
Sobra apenas o silêncio. E é aí que mergulho em mim mesma, onde me encontro comigo e com a alma do mundo.
Esvazio por completo a minha mente. Impeço qualquer pensamento de se fixar. E permaneço assim durante um tempo que não se conta ... sensação incrível de sintonia com o Todo.
As vezes viajo. Vejo lugares mágicos com luzes encantadas, seres elementais, entre outras figuras que me sorriem e eventualmente vêm ao meu encontro.
Quando regresso e abro os olhos, a rua ainda está movimentada. Carros e mais carros. Transeuntes. O de sempre, a cada dia diferente. Cada um voltando para as suas casas depois de mais um dia de trabalho, ou não. Uns para tomar banho, comer e dormir. Outros quem sabe para fazer o mesmo que eu.
É muito bom proporcionar-me pequenos e valiosos momentos assim. Sozinha comigo mesma, logo, não, nem nunca, sozinha de facto. Eu, particularmente, tenho vários, e eles acontecem de diferentes maneiras. Esta é apenas uma delas. Deviam experimentar. É revigorante e mágico sair de si de vez em quando. Ao voltar, sempre vemos as coisas da maneira certa.
Beijos meus, com amor.
Quem nunca foi sacaneado por um amigo traíra?
Quem nunca levou uma rasteira de um colega na empresa?
Quem nunca se decepcionou com aquela pessoa em que mais confiava, as vezes até uma amizade da vida toda, daquelas que pensamos serem para sempre, daquela pessoa tão querida, tão confiável, acima de todas as suspeitas? Isso sem falar nas terríveis desilusões amorosas quando eles (as) nos mostram uma capa em vez da face verdadeira?! Nem dos casos em que a amiga «rouba» o marido da amiga, ou vice - versa? E além de todas essas, ainda há as pessoas da própria família ... o tio que falou mal do pai, a cunhada que não engole a preferêcia do sogro pelo neto mais velho, filho da mulher do irmão do marido, as primas que têm inveja umas das outras ... enfim, há de tudo um pouco no que diz respeito a decepções e traições por parte de pesoas que nos são queridas, e algumas são tão graves que torna-se impossível para mim descrevê-las aqui, tamanha a falta de escrúpulos.
Perante tudo isso, a tendência mais natural da nossa condição humana, é, além de nos sentirmos magoados e traídos nessas circunstâncias, e com todo o direito que nos assiste, a de sentir raiva, as vezes até mesmo ódio nos piores casos, pois experimentamos uma dor inenarrável ... alimentar um enorme rancor e ressentimento por quem tanto e tão fundo nos feriu também faz parte da reacção gerada pela acção imposta.
Reparem, tal reacção é absolutamente natural, mas não é a melhor aposta.Nem aquilo que o Universo espera de nós.
Sei que estão a pensar que não é nada fácil ser altruísta em casos delicados e dolorosos como esse. E de facto, não é tarefa fácil. Vão pensar também que existem traições inadmíssiveis, imperdoáveis, e que a pessoa não merece, entre outras alegações.
Digo-vos, têm razão em muita coisa. Creio que somente Jesus Cristo foi capaz de demonstrar tão imensamente esse dom. Porém, o que precisamos, e devemos entender, é que tudo na nossa vida e em torno dela é pura energia. Inclusive os pensamentos, sentimentos e as emoções. Essa energia é algo subtil mas muito poderosa, que exprime-se através do nosso corpo, aura, e da nossa vida.
Precisamos igualmente compreender que o Universo tem uma Lei imutável e infalível. Tudo que vai, volta. Tudo que damos, recebemos em dobro. Tudo que emitimos para o nosso campo energético atrai o semelhante.
Tudo isto significa, tão simplesmente, que o ódio gera ódio, e que o amor gera amor, e assim sucessivamente. Sempre. Não temos como escapar. Portanto, comece agora a fazer a terapia do perdão na sua vida.
Se tem mágoa, raiva, inveja, ressentimento de alguém, com ou sem motivos «válidos», aprenda a arte de perdoar. Em vez de emanar sentimentos negativos por essa pessoa, o que só vai atrair mais e mais das mesmas coisas para si mesmo, tente, mas tente arduamente mesmo, perdoar do fundo do seu coração. Entenda que todos somos diferentes, alguns mais evoluídos espiritualmente do que outros, alguns com menos valores do que outros, mais fracos, mais influenciáveis por ganância, poder, vaidade, luxúria, inveja ... perceba que no fundo essas pessoas são as verdadeiras vítimas por viverem nas trevas, por não saberem que com o mal nada do que consigam pode durar ou permanecer ... perceba que retribuindo o mal com o bem cortará a corrente negativa e a sua vida seguirá adiante e lhe apresentará muitas outras probabilidades de ser feliz.
O ódio não faz mal apenas a alma. Faz mal a pele, a nossa saúde inclusive. Pessoas amargas normalmente são debilitadas e tristes, rabugentas e desagradáveis. Como podem atrair amor, prosperidade, paz de espírito, entre outras grandes bençãos dessa forma? O semelhante só atrai o semelhante.
Agora, podem muito bem perguntar como se faz para diluir essa raiva toda dentro de si? Eu não tenho uma resposta concreta nem pronta para dar. Apenas sei que cultivar o amor dentro do coração é a única solução.
Não pensem que sou santa, que não nascem em mim sentimentos negativos como todos os que descrevi acima. Só que eles não crescem, porque a terra do meu coração é infértil para eles.
Sim, eu fico magoada. Muito. Sim, eu já tive algumas grandes desilusões na vida. Mas eu nunca tive raiva de ninguém, nem ódio, nem nada disso. Não cabem em mim tais sentimentos, costumo dizer. Mas ... perdoar não implica continuar no lodo. Uma coisa é perdoar e outra é continuar perto de quem me fez mal. Eu digo ... vai com Deus, de coração. Vou querer sempre o bem dessas pessoas, e se acaso precisarem de mim algum dia, o que é mais provável que aconteça, eu estarei aqui para estender a minha mão. Mas, não preciso coviver, nem lidar, nem falar ou estar sequer perto delas. A isto chama-se separar o joio do trigo.
Chega de falsidade, ideologias alheias, hipocrisia sem sentido, leis e regras feitas pelos outros ... eu escolhi ser feliz!
Chega também de viver a espera que as coisas aconteçam, de sentar no banquinho a porta de casa enquanto a grande dádiva não chega, de viver no mundo dos sonhos e ser feliz apenas aí ... eu escolhi ser feliz!
Chega de dar satisfações da minha vida, de me conter para não dar aquele beijo na boca, de me conter para não dar show demais no meio da pista, de me impedir de ousar e de arriscar o desconhecido ... eu escolhi ser feliz!
Chega de tristeza, de melancolia, de dias e dias, e noites deprimentes ... chega de esperar que alguém chegue com a minha felicidade nas suas mãos ... eu escolhi ser feliz!
Chega de ser comedida, de pensar demais antes de falar, de dar tudo sem pensar nas consequências e de não dar o bastante com medo das consequências ... chega de pensar em tantas consequências ... eu escolhi ser feliz!
Escolhi ser feliz. Escolhi ser apenas eu. Escolhi ser esta mulher, com defeitos e virtudes, com sonhos e muita esperança, que reage perante a vida, que responde rindo, as vezes sorrindo, as vezes gritando, outras vezes em silêncio ... que ri e chora com igual facilidade ... que carrega o dom do AMOR em si apesar de qualquer eventual destempero ... que brilha porque tem luz própria, energia própria e não se alimenta da energia de ninguém ... que é amada porque ama, porque se doa ... que eventualmente não é tão amada assim por alguns alguéns, mas esses são o resto, e nunca precisei de restos para ser feliz.
Esta sou eu, e eu escolhi ser feliz. Escolhi trilhar o meu próprio caminho. Disse «NÂO» aos sonhos que não me pertencem, às pessoas que não me servem, à tudo que não cabe mais em mim ... escolhi viver para mim mesma, e para uma única pessoa mais, a minha filha, luz da minha vida. Abandonei totalmente tudo que me fazia mal, e abandonarei sem olhar para trás qualquer outra coisa/pessoa que venha a ousar fazer-me o mesmo ... porque eu escolhi ser feliz.
Não quero viver outra vida senão a minha. Não quero ser outra pessoa senão eu mesma.
Sim, tudo isso porque eu escolhi ser feliz AGORA.
Esperança
Lá bem no alto do décimo segundo andar do ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
- Ô, delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança ...
E em torno dela indagará o povo:
- Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(é preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá, bem devagarinho para que não esqueçam
- O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA ...
de Mário Quintana
________________________
Escolhi este pequeno poema porque nenhum outro podia ser mais apropriado no momento. Estamos também nós no décimo segundo andar do ano, o último ... mais uns dias e começa tudo novo, de novo.
Porém, desta vez eu quero e vou fazer diferente.
Não vai ser o meu, mais um reveillon, igual a tantos outros. Abraços, beijos, amigos, festa ... tudo isso continua válido, mas eu mudei, e comigo mudou a minha forma de estar na vida.
Portanto, além do que foi acima citado, eu pretendo conhecer mais de perto essa louca do décimo segundo andar, e ser como ela, sempre criança ... eu achava que já o era, mas descobri que preciso de o ser mais ainda, mais e mais criança, mais e mais cheia de esperança.
Quero estar consciente do meu poder mais do que nunca, e tirar partido de tudo quanto posso fazer por mim mesma e pelos outros.
Vale tudo ... simpatias, rituais, preces, meditações ... só sei que no momento da virada eu quero estar conectada com toda a Energia que flui pelo Universo, inspirar alegria e expirar tudo que eu quero que fique preso aqui, em 2009.
Aproveito para desejar a todos um Feliz Ano Novo, muitas bençãos, muita saúde, paz, muitas concretizações ... e dizer que amo-vos muito, que agradeço por serem parte da minha vida, algumas de vocês há tanto tempo ... sintam-se abraçadas e beijadas, minhas amigas virtuais mais do que queridas, e que em 2010 a nossa amizade continue linda, cada vez mais sólida e verdadeira.
Beijos com xeros e amaxos :)
OS NATAIS DA MINHA INFÂNCIA
Sempre me lembro, com nostalgia, dos Natais da minha infância.
Eram passados na casa do meu avô Ferreira, no Alvalade. Mesa grande, com avós, pai, mãe, irmão, tios e tias, primos e primas ... e muito barulho, alguma confusão, música e os mais velhos a beber ... a árvore de Natal tinha poucas bolas e as luzes também não eram lá essas coisas, mas nós punhamos bocados de algodão a imitar a neve e achavamos que ficava linda.
Naquele época, o nosso país atravessava uma fase difícil. Não tinhamos muitas lojas onde comprar presentes, muito menos Shoppings Centers, logo, nem eu, nem o meu irmão, ou os meus primos, ganhavamos muitos brinquedos. Mas isso não era o mais importante porque tinhamo-nos uns aos outros, havia aquele espírito de Natal que na altura era muito chamado de Dia da Família ... o dia em que todos se reuniam e esqueciam as diferenças ... o dia em que a alegria corria solta, muitos beijos e abraços, muitos votos de felicidade.
Hoje, pelo menos na minha família, tudo é diferente. Houve a partida o meu irmão para um plano superior, o divórcio dos meus pais, o desmembramento de toda a família.
O Natal deixou de ser uma festa cheia de gente, barulho e confusão ... passou a ser uma ceia calma e serena, feliz de qualquer maneira porque tenho a minha filha e a minha mãe ao meu lado ... ah, agora quase não há espaço para os presentes, principalmente para a Paloma que hoje tem o previlégio que eu não tive, que é o de ganhar os últimos lançamentos de todas essas geringonças electrónicas e seus acessórios sem fim, porque Nenucos e Barbies já não fazem parte das suas preferências, afinal, como ela mesma faz questão de me lembrar, é uma pré-adolescente.
A minha mãe sempre diz que o importante é a qualidade, e não a quantidade. E eu concordo, ela está certa. Mas mesmo assim, uma parte de mim tem muitas saudades daqueles Natais de antigamente, onde eu não ganhava tantos presentes, mas onde sentia muito mais o espírito de Natal. Espírito esse que hoje luto para manter vivo pela minha filha, e faço de tudo para que também ela um dia tenha memórias doces dos Natais da infância dela, como eu tenho dos meus. E então, assim me divido, entre a obrigação de ser feliz e a saudade dos tempos idos, das pessoas que já se foram, da família que hoje está dividida ... de tudo que se perdeu e me faz falta, mas ... sei que de passado não se vive, por isso deixo essa nostalgia nestas palavras apenas, afinal, a vida segue e todos temos que ir junto.
Chega o fim de mais um ano e muitas pessoas tendem a sentir-se assim. Comigo, pelo menos, acontece. Parece que a VIDA exige que arrumemos a bagunça feita durante os últimos 12 meses.
Vem essa insuportável sensação de vazio mesmo estando cheia de gente em volta, barulho, acontecimentos e agitação ... frenesim de Natal, euforia de Ano Novo ... mas numa determinada hora e tempo certo, o ruído emudece ... e a realidade parece pairar sobre a minha cabeça.
O que fiz da minha vida durante este ano?
Acertei nas escolhas que fiz?
O que valeu a pena?
E principalmente, o que aprendi?
É! Ainda não tenho todas as respostas ... talvez por não gostar muito de reflectir sobre o que passou. Mas em momentos específicos, como este, é importante fazer uma retrospectiva, um balanço ...
Não! Não quero errar os meus erros, tropeçar nas mesmas pedras, e nem cair nos mesmos buracos.
Sei que a vida é isso. Cair e levantar. Errar e aprender. Mas não duas vezes no mesmo lugar.
No fim, o saldo é positivo porque EU estou aqui, e estou no palco da vida. Exactamente onde tudo acontece.
Continuo em balanço ... ainda faltam alguns dias para a virada, e espero ter todas as respostas mais claras diante de mim.